Albert é o nome da inteligência artificial do Estado francês, desenvolvida desde 2023 pela DINUM, a direção interministerial do digital. Não é um ChatGPT aberto a todos: em 2026, Albert designa sobretudo a Albert API, um serviço técnico reservado aos funcionários da administração central francesa, e o assistente de conversa dos funcionários chama-se agora L’Assistant («O Assistente»). Um particular ou uma empresa, em França ou noutro país, não o pode usar por conta própria.
Tudo o que se segue foi verificado a 22/10/2026 nas páginas oficiais da DINUM, que estão em francês (as citações são traduções nossas): são serviços que mudam depressa.
O que é o Albert hoje?
Há dois serviços que continuam o legado do Albert.
A Albert API é uma porta de entrada técnica: as aplicações das administrações francesas ligam-se a ela para recorrer a modelos de IA, sem enviar os seus dados às empresas que publicam esses modelos. A DINUM apresenta-a como «a API interministerial de referência para aceder a modelos de IA generativa» (ia.numerique.gouv.fr, em francês). Destina-se às equipas que desenvolvem ferramentas, não aos funcionários que querem conversar com uma IA.
L’Assistant é a ferramenta de conversa: um «assistente conversacional gerido pela DINUM para permitir aos funcionários públicos dialogar com modelos de inteligência artificial generativa num ambiente seguro» (ia.numerique.gouv.fr, em francês). Chamava-se antes Albert Conversation. Lançado em outubro de 2025 junto de 10 000 funcionários, deve ser alargado «a todos os funcionários públicos antes do fim de 2026», segundo um anúncio do governo francês de junho de 2026 no info.gouv.fr. Também está integrado no Docs, o editor de texto da La Suite numérique, o conjunto de ferramentas colaborativas do próprio Estado francês.
O que acabou: o Albert nos balcões France services
O nome Albert ficou conhecido primeiro por uma experiência: a partir de janeiro de 2024, os técnicos dos balcões France services (espaços de atendimento onde as pessoas recebem ajuda com a papelada da administração, um pouco como as Lojas do Cidadão) usaram-no para preparar as respostas aos utentes. Quem respondia era sempre o técnico, não a IA. Gabriel Attal, então primeiro-ministro, tinha anunciado a 23 de abril de 2024 que seria alargado a todos os balcões.
A 9 de janeiro de 2026, a DINUM indicou que essa ferramenta não seria generalizada «na sua forma atual», segundo uma notícia da AFP. Acrescentou que «a maioria dos projetos experimentais agrupados sob a marca Albert passou a ser definitiva». Ou seja, o Albert não desapareceu: o que acabou foi o Albert nos balcões France services.
Quem pode usar o Albert?
| Serviço | Para quem | Preço | Acesso |
|---|---|---|---|
| Albert API | os funcionários da administração central do Estado francês e os organismos sob a sua tutela | gratuito para os funcionários do Estado, com limites; um nível superior é cofinanciado pelos ministérios parceiros | ProConnect |
| L’Assistant | os serviços do Estado francês e os organismos sob a sua tutela (o acesso é aberto serviço a serviço, não funcionário a funcionário) | gratuito, sem limites | ProConnect |
| Um particular, uma empresa | não | — | — |
O ProConnect é o sistema de autenticação do Estado francês para profissionais.

As autarquias francesas (regiões, departamentos, municípios) não são elegíveis, em princípio. A documentação da Albert API prevê uma exceção, a pedido, quando o Estado exerce uma tutela conjunta sobre o organismo.
Para as empresas, a regra está escrita preto no branco: a Albert API «é um serviço reservado aos funcionários da administração do Estado. Uma empresa não a pode, portanto, usar por conta própria nem revendê-la». Só pode permitir que os seus clientes públicos se liguem a ela com as respetivas credenciais (guia oficial, em francês).
Que modelos de IA corre o Albert?
A DINUM não treina modelos próprios: corre nos seus servidores modelos já existentes, publicados em acesso aberto. A 22/10/2026, a lista oficial da Albert API inclui, entre outros, o gpt-oss-120b (publicado pela OpenAI), o Mistral Small 3.2 e o Ministral 3 (Mistral AI) e o Whisper, para transformar voz em texto. O modelo principal de L’Assistant é o Mistral Medium 3.5.
Esta lista muda: dois modelos devem ser retirados até 1 de dezembro de 2026 e substituídos por outros. A DINUM indica que «nenhum dos teus dados é enviado a esses fornecedores de modelos nem usado para os treinar».
Para onde vão os dados?
- O alojamento: a Albert API corre na Outscale, cuja qualificação SecNumCloud a DINUM destaca (o SecNumCloud é o referencial de segurança da nuvem da ANSSI, a agência nacional francesa de cibersegurança; explicado em SecNumCloud), e na Nubo, a nuvem privada da DGFiP, a administração fiscal francesa.
- O conteúdo dos pedidos não é guardado. A nota oficial de 2 de setembro de 2026 descreve uma oferta de «zero data retention»: o texto enviado ao modelo não é gravado em nenhum suporte duradouro.
- Mas nem tudo é apagado. A mesma nota precisa que «a não retenção abrange o conteúdo, não a existência das chamadas»: os metadados, incluindo o endereço IP, são guardados durante 24 meses. Os documentos carregados para neles fazer pesquisas não estão abrangidos por esta não retenção.
- L’Assistant guarda as conversas enquanto a conta do funcionário estiver ativa.

Os funcionários franceses podem usar o ChatGPT em vez dele?
Raramente. O Guia de utilização da IA para os funcionários públicos do Estado, publicado em junho de 2026 pela DINUM e por dois outros serviços do governo francês (a DITP, responsável pela transformação pública, e a DGAFP, responsável pela função pública), diz assim: «O recurso a uma ferramenta comercial (ChatGPT, Claude, Gemini...) deve continuar a ser excecional e só é possível se se cumprirem duas condições em simultâneo: a tua administração autoriza-o explicitamente; as informações tratadas poderiam ser publicadas livremente na Internet.» O guia indica que não tem força regulamentar, mas traça a linha do Estado francês.
E se não tiveres acesso ao Albert?
Não vais conseguir usar o Albert propriamente dito, mas parte do que o compõe está aberto a todos:
- O código é livre. O software da Albert API (OpenGateLLM) e o de L’Assistant estão publicados com licença MIT. A La Suite numérique diz que uma organização não elegível pode «instalar a sua própria instância e geri-la sob a sua responsabilidade». Para isso, é preciso uma equipa técnica e servidores.
- Os modelos podem ser descarregados. Os da lista do Albert estão publicados no Hugging Face com licenças abertas (Apache 2.0, na maioria): podes corrê-los nas tuas próprias máquinas (vê IA offline).
- Há um assistente francês aberto ao público: o da Mistral AI, empresa francesa, que agora se chama Mistral Vibe (antes Le Chat). Tem um plano gratuito limitado e planos pagos. As condições para particulares preveem que as tuas conversas sirvam para treinar os modelos, a menos que o desatives (condições de 8 de outubro de 2026). Outras opções em IA francesa.
Se a tua pergunta é a de uma empresa («que IA dar à minha equipa sem expor os nossos dados?»), os planos profissionais estão comparados em ChatGPT para empresas.
As armadilhas a evitar
- Os sites que propõem «experimentar o Albert». Não existe nenhum Albert aberto ao público: o acesso oficial passa pelo ProConnect, com uma conta de funcionário do Estado francês. Um site não oficial que use o nome não oferece nenhuma das garantias da DINUM.
- Os artigos de 2024. Descrevem modelos «treinados especificamente para as necessidades da administração» e anunciam o Albert em todos os balcões France services: já não é assim.
- Confundir soberano com confidencial. O Albert está alojado em França e não guarda o conteúdo dos pedidos, mas guarda vestígios da sua passagem. As regras de utilização de cada administração continuam a aplicar-se.
Para ir mais longe na IA alojada em França e na Europa: os recursos sobre soberania.




